A volta da Juatinga

Vista da praia Martin de Sá e ao fundo a Ponta da Juatinga

Um braço de terra que avança para o mar em direção à Ilha Grande, no Rio de Janeiro, quase todo é área preservada, salvo alguns pescadores e pequenas comunidades que em geral vivem da forma mais natural possível, são alguns quilômetros de mata e lindas praias que podem ser percorridas em alguns dias por trilhas bem marcadas.

Tendo por um lado o saco do Mamanguá e pelo outro lado o oceano Atlântico, esse estreito de terra tem belezas incríveis. As águas que o rodeiam são de uma transparência incrível. Em algumas praias desse pedaço de terra existem comunidades muito interessantes, a maioria não tem rede elétrica é claro, nada de água tratada e esgoto. Mas nem por isso são lugares sujos, muito pelo contrário, limpos e lindos, a água usada nas pequenas casas dos pescadores e campings vem da montanha, limpa e geladinha e os esgotos são feitos em fossas.

Comecei a viagem com alguns amigos, por uma trilha que saia de laranjeiras passava por uma antiga fazenda agora fechada por ordem judicial devido as leis ambientais e chegava ao fundo do saco do Mamanguá. Na trilha passamos por uma região quase alagada, uma área toda plana cheia de Taboas cortada por uma estrada abandonada da antiga fazenda onde enquanto andávamos à nossa frente saltavam pequenos sapinhos, do tamanho de gafanhotos, às dúzias. Chegando ao fundo do saco do Mamanguá, um barqueiro nos aguardava, um dos meus companheiros da viagem já havia combinado o encontro, então ele nos levou até Pouso da Cajaíba, percorrendo todo o saco.

Pouso da Cajaíba visto da trilha para Martin de Sá

De Pouso da Cajaíba, que fica de frente para o continente, já começamos a caminhar em direção à Praia de Martim de Sá, que fica do lado do mar aberto, onde passamos a primeira noite em um camping administrado pelo seu Maneco, o Camping mais caro da região, na próxima vez vou caminhar uma hora e meia a mais até Cairuçú que é a próxima praia. Tanto Martim de Sá quanto Cairuçú são lindíssimas e merecem ao menos uma breve visita.

Cairuçu

Saindo de Martin de Sá caminhamos por uma hora e meia e chegamos a Cairuçú, onde almoçamos e demos um mergulho no mar bravo que corre por diversas pedras enormes, um pouco perigoso, mas se feito com cautela muito prazeroso. Saindo de Cairuçú, nosso destino era Ponta Negra.

O que encontramos nesse trecho entre Cairuçú e Ponta Negra foi uma enorme subida que ascendiam 531 metros para em seguida descer novamente ao nível do mar na praia da Ponta Negra. Este foi o trecho sofrido da viagem, bastante difícil principalmente porque carregávamos pesadas mochilas com nossa comida, água, barraca, roupas, GPS, lanternas, etc. Enfim conseguimos chegar à noite, o que não é aconselhável, é sempre bom chegar com luz do dia aos lugares, principalmente em comunidades que não dispões de rede elétrica, portanto não têm luz nas vias. Um lugar encantador essa praia, uma comunidade surpreendentemente grande vive ali. Quando cheguei pela trilha, sem luz e com uma lanterna que mal dava pra ver meus pés, uma lanterna piscava em minha direção, eu chegara sozinho justamente por não ter uma lanterna adequada para a descida, o que me fez desembestar na descida muito íngreme a fim de alcançar o plano antes da praia ainda com luz, o que eu consegui. A lanterna que piscava em minha direção saia da porta de uma pequena casinha na beira da trilha e eu rapidamente saldei dizendo “boa noite”, prontamente um senhor respondeu da mesma forma e caminhou em minha direção.

Praia de Ponta Negra pela manhã, 7:00 AM

Chegando ao meu lado vi que era um senhor já de idade avançada, curioso com a presença de um forasteiro chegando à noite e ele me perguntou: “Está vindo de Martin?” Eu lhe respondi que sim e ele me perguntou se eu estava fazendo a trilha sozinho. Expliquei a ele eu que não estava sozinho, mas que eu tinha feito a descida em corrida atleta por estar sem lanterna, ele se admirou e explicou como chegar à praia para esperar meus amigos por lá.

40 minutos depois chegaram dois dos meus companheiros e ficamos conversando em bancos de madeira em um bar na praia que tinha luz sustentada por um gerador e para nossa alegria tinha também refrigerante e cerveja gelados. Cerca de uma hora depois, resolvemos subir para averiguar o camping indicado pela dona do bar e lá estavam nossos outros dois companheiro de viagem, já com a barraca montada. Montamos as nossas próximos à eles e conversando depois, descobri que o mesmo senhor que me recebera, preocupado em não nos encontrarmos os acompanhou até ali por saber que estávamos no bar em frente ao camping. É incrível a diferença na forma de agir de pessoas que vivem em paz.

A partir de Ponta Negra, a viagem foi super tranqüila, sem nenhuma grande dificuldade nem grandes subidas e um visual lindíssimo beirando duas praias desabitadas, Antiguinhos e Antigos, além de uma praia toda de pedras logo que se sai de Ponta Negra. Essas duas praias são lindas e ambas têm riachos que desembocam no mar, o que alias é muito comum e ocorre em todas as praias em que estivemos. Antigos, por ser mais próxima de Laranjeiras e maior que Antiguinhos, recebe um número considerável de visitantes.

Praia do Sono

A praia seguinte, a praia do Sono chega-se por uma ladeira curta, mas muito íngreme e arenosa bem escorregadia. Lá chegando já paramos no primeiro camping, que se chamava camping lá em casa. Muito bonito e arrumado, foi o melhor camping da viagem e na cara no mar, montei minha barraca com vista para o mar sem obstáculos na frente.

No dia seguinte pela manhã já acordamos com o vento tentando levar embora nossas barracas e pensamos que seria muito prudente levantar acampamento o quanto antes, pois a chuva estava chegando e assim o fizemos, conseguimos chegar à Laranjeiras, carregar os carros e pegar a estrada antes da chuva, mas chegando em Ubatuba, a chuva já estava caindo forte e então nos rendeu 11 horas de estrada até São Paulo, mas valeu a pena.

Mais informações podem ser encontradas no site http://www.paraty.tur.br/esportesradicais/trekking.php

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